Fuga de dados: A explosão dos sequestros Cripto em França
A França enfrenta um aumento alarmante de sequestros de holders de criptomoedas. Saiba os detalhes desta ameaça crescente e como se proteger.
A França enfrenta um aumento alarmante de sequestros de holders de criptomoedas. Saiba os detalhes desta ameaça crescente e como se proteger.
Esqueça os simples ataques de phishing ou os hacks de smart contracts. A ameaça é agora bem real e física. A procuradora nacional de combate à criminalidade organizada, Vanessa Perrée, lançou um alerta contundente esta sexta-feira: 88 suspeitos, incluindo cerca de dez menores, foram acusados em 12 processos de rapto e sequestro. Deste total, 75 já se encontram em prisão preventiva.
Isto não tardou a gerar uma reação de Pavel Durov, o fundador do Telegram. No X, destacou números que causam arrepios: no total, “41 raptos de detentores de criptomoedas em França em apenas 3 meses e meio em 2026.” Segundo ele, este agravamento resulta de fugas de dados ligadas aos KYC e aos impostos franceses sobre as criptomoedas:
“O fisco francês vende os dados dos detentores de criptomoedas a criminosos (Ghalia C.) e foram detetadas fugas massivas de bases de dados fiscais. O Estado exige agora também os documentos de identificação e as mensagens privadas dos utilizadores das redes sociais. Mais dados = mais vítimas”, escreveu.
De facto, os números são vertiginosos e confirmam um verdadeiro boom neste tipo de criminalidade. Desde 2023, 135 casos semelhantes foram registados pelas forças de segurança. O ritmo está a acelerar perigosamente, com 47 casos já registados apenas nos primeiros meses de 2026.
O modus operandi destas redes estruturadas é ainda mais assustador. As vítimas, frequentemente identificadas como grandes holders, são raptadas, sequestradas e, por vezes, torturadas até transferirem as suas wallets para os endereços dos raptores.
Como conseguem estes criminosos visar com tanta precisão as whales e os investidores particulares? A resposta pode estar nas falhas de segurança das instituições. Pavel Durov apontou o dedo a esta fuga massiva de dados em França, que expôs as informações de quase 19 milhões de pessoas.
Estes dados sensíveis são vendidos a peso de ouro na darknet e permitem aos criminosos montar operações cirúrgicas. Os raptores não atacam ao acaso: o seu alvo são os líderes de startups Web3, os influenciadores e os traders que exibiram os seus lucros durante o último rally.
Face a esta ameaça, a regra de ouro “Not your keys, not your coins” ganha uma dimensão trágica. Proteger os seus ativos numa cold wallet já não é suficiente se a sua morada física estiver comprometida. Os especialistas recomendam agora uma discrição absoluta para evitar tornar-se o próximo alvo destes sindicatos do crime 2.0.
A França tornou-se, sem margem para dúvidas, o epicentro mundial dos “wrench attacks” – agressões físicas destinadas a extorquir chaves privadas. Segundo dados cruzados da polícia e de empresas como a CertiK, o país concentra uma parte esmagadora destes crimes na Europa, mesmo quando a adoção de criptomoedas atinge cerca de 7 a 10% da população (ou seja, mais de 5,5 milhões de holders).
Desde o início do ano, regista-se um rapto ligado às criptomoedas a cada 5 dias, ou seja, mais de uma vítima por semana.
Embora as autoridades francesas estejam a mobilizar meios colossais para desmantelar estas redes, a ameaça continua a pairar. Terão os investidores de recorrer a soluções de privacy coins ou a esquemas complexos para ocultar o seu património real? Até onde irão os criminosos para se apoderarem dos seus preciosos satoshis antes do próximo ATH?
E são sobretudo os influenciadores de criptomoedas que estão em perigo, ao exporem-se na internet. Evidentemente, a melhor escolha continua a ser manter a discrição e não falar sobre criptomoedas com as pessoas à sua volta.
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Charles Ledoux é um especialista em Bitcoin e nas novas tecnologias blockchain. Formado pela Crypto Academy, é também minerador de Bitcoin há mais de um ano.
Escreveu inúmeras masterclasses para educar os recém-chegados à indústria e mais de 2000 artigos. Agora, deseja transmitir a sua paixão pelo mundo cripto através dos seus artigos para a InvestX.
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