Strategy e Bitcoin: o flywheel de Saylor resiste a uma queda de 40%?
Desde o lançamento da ação preferencial STRC da Strategy, o Bitcoin perdeu mais de 40%. O flywheel de Saylor ainda funciona?
Desde o lançamento da ação preferencial STRC da Strategy, o Bitcoin perdeu mais de 40%. O flywheel de Saylor ainda funciona?
Desde o lançamento da ação preferencial STRC da Strategy, o Bitcoin perdeu mais de 40% do seu valor. Uma correção brutal que pressiona o modelo de acumulação de Michael Saylor e reaviva as críticas sobre a viabilidade do famoso BTC flywheel.
O STRC, concebido para financiar novas compras de Bitcoin através de aumentos de capital, está agora a ser transacionado abaixo do seu valor nominal. Um sinal que abranda mecanicamente a máquina de acumulação de BTC — e que levanta questões concretas sobre a solidez do modelo a longo prazo.
A Strategy continua a ser um dos maiores detentores institucionais de Bitcoin a nível mundial. Mas entre a pressão nos mercados, as críticas dos analistas e a desaceleração das aquisições, a questão impõe-se: o flywheel ainda está «fine»?
O mecanismo da Strategy assenta numa lógica simples: captar capital através de instrumentos financeiros (ações ordinárias MSTR, obrigações convertíveis e, mais recentemente, ações preferenciais como a STRK e a STRC) para comprar Bitcoin. A valorização do BTC engrandece o balanço, o que permite captar mais fundos — e comprar ainda mais BTC. É o flywheel.
Mas este círculo virtuoso pressupõe que os instrumentos de captação de capital se mantenham atrativos para os investidores. Ora, o STRC está atualmente a ser transacionado abaixo do seu valor nominal, o que significa que o mercado já não valoriza este instrumento pela sua justa medida. Consequência direta: a Strategy deixa de poder emitir novas ações STRC em condições favoráveis sem diluir ainda mais os seus acionistas ou aceitar um desconto significativo.
As críticas, durante muito tempo marginais, ganham credibilidade. Alguns analistas apontam o risco de um efeito de alavancagem inverso: se o Bitcoin continuar a cair, o valor do colateral diminui, os instrumentos de dívida tornam-se mais onerosos de refinanciar, e a capacidade de acumulação contrai-se precisamente quando os preços estão mais baixos — o oposto de uma estratégia de compra otimizada.

Desde o pico de novembro de 2024, a Strategy reduziu significativamente o ritmo das suas aquisições de Bitcoin. As semanas sem qualquer compra multiplicam-se, contrastando com a cadência sustentada observada entre meados de 2024 e início de 2025, quando o BTC oscilava entre os 60 000 $ e os 100 000 $. Este abrandamento não é trivial: reflete diretamente a dificuldade em captar capital num ambiente de mercado desfavorável.
A Strategy detém atualmente mais de 500 000 BTC, adquiridos a um preço médio de compra de cerca de 66 000 $ de acordo com as últimas comunicações da empresa. Com o Bitcoin a oscilar em torno dos 80 000 $, a posição mantém-se teoricamente em lucro. Contudo, o valor líquido de inventário (NAV) da MSTR — tradicionalmente um prémio face ao valor dos BTC detidos — comprimiu-se, reduzindo um dos principais argumentos de venda da ação junto dos investidores institucionais.
Nos mercados de derivados, os dados da CoinGlass mostram uma volatilidade implícita elevada no BTC a curto prazo, o que complica ainda mais os cálculos da Strategy para as suas próximas emissões. O market sentiment mantém-se frágil, e os níveis de suporte chave entre os 78 000 $ e os 80 000 $ estão a ser acompanhados de perto pelos traders.
Para que o modelo da Strategy recupere toda a sua potência, é necessário que se verifiquem várias condições. Em primeiro lugar, uma recuperação sustentada do preço do Bitcoin acima dos 90 000 $ – 95 000 $ devolveria atratividade aos instrumentos de captação de capital e permitiria ao STRC recuperar o seu valor nominal. Em segundo lugar, um renovado apetite institucional por produtos com exposição ao BTC — nomeadamente através dos ETF spot — poderia sustentar a procura pelos títulos da Strategy.
Michael Saylor mantém publicamente que a estratégia está «fine», argumentando que a Strategy não tem qualquer obrigação de vender os seus BTC e que a empresa dispõe de liquidez suficiente para honrar os seus compromissos a curto prazo. Esta postura de convicção total é a sua marca registada — e já resistiu a correções bem mais severas, nomeadamente durante o bear market de 2022.
Ainda assim, o contexto macroeconómico de 2025 é diferente: taxas de juro ainda elevadas, incerteza regulatória persistente nos Estados Unidos, e um mercado cripto que ainda procura os seus catalisadores para o próximo ciclo. O flywheel de Saylor não está partido — mas gira em modo lento, e cada semana sem compras de BTC é uma semana em que a tese é posta à prova.
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