Strategy: o CEO Phong Le defende a venda de Bitcoin como «o trade certo»
Phong Le quebra o silêncio e defende a venda de Bitcoin da Strategy como uma decisão calculada. Descubra a lógica por detrás da polémica.
Phong Le quebra o silêncio e defende a venda de Bitcoin da Strategy como uma decisão calculada. Descubra a lógica por detrás da polémica.
Strategy vendeu uma fração dos seus bitcoins durante uma pausa de dez semanas — e o seu CEO assume totalmente essa decisão. Phong Le quebra o silêncio face às críticas dos investidores e reivindica uma lógica de gestão de capital rigorosa. Por detrás da polémica, uma estratégia muito mais calculada do que aparenta.
Questionado pela Bloomberg esta terça-feira, Phong Le qualificou a venda de bitcoin como «o trade certo no momento certo», rejeitando qualquer interpretação baixista da decisão. Segundo ele, o objetivo era claro: reforçar o balanço da empresa para atingir o que designa de «balanço à prova de bala». A Strategy suspendeu assim as compras de BTC durante dez semanas a partir de junho, vendendo pequenas quantidades para constituir duas reservas de liquidez.
O CEO insiste na filosofia da empresa: «Não tomamos decisões em função do preço do bitcoin». A venda responde a uma equação matemática de gestão de capital, não a um sinal de mercado. Uma nuance essencial para compreender o posicionamento da Strategy, que se apresenta como acumuladora líquida de BTC a longo prazo, independentemente das flutuações de curto prazo.
A Strategy aproveitou ainda este período para recomprar parte da sua ação preferencial STRC, que era transacionada com desconto. Uma manobra que ilustra a crescente sofisticação da gestão financeira da empresa, muito além do simples «buy and hold» de bitcoin.

A Strategy continua a ser, de longe, o maior detentor corporativo de bitcoin do mundo, com 845 050 BTC, valorizados em cerca de 65,1 mil milhões de dólares aos preços atuais. A empresa retomou as compras na segunda-feira, pondo fim à sua pausa de dez semanas. Ainda assim, o quadro financeiro mantém-se contrastado: nos resultados trimestrais de julho, a Strategy registou um prejuízo contabilístico de 8,22 mil milhões de dólares.
Phong Le desvaloriza este prejuízo, classificando-o como irrelevante a curto prazo. A sua comparação é audaciosa: «Somos o J.P. Morgan da economia cripto», declarou, acrescentando que vender 1 000 BTC sobre 840 000 é «irrelevante na conversa». Uma retórica assumida, que visa reencadrar a perceção dos investidores sobre a verdadeira escala das operações da empresa.
No mercado, a ação MSTR (Nasdaq) cede 2% esta quarta-feira e apresenta uma performance anual de -22% desde o início do ano. O CEO mantém-se confiante: antecipa uma recuperação significativa do título em 2026, impulsionada pelo que descreve como a entrada num «bull market particularmente intenso». Uma convicção que contrasta com a prudência habitual dos gestores de empresas cotadas.
Anteriormente conhecida como MicroStrategy, a empresa operou a sua transformação radical em 2020 sob o impulso de Michael Saylor, tornando o bitcoin o seu principal ativo de reserva. O que inicialmente deveria proteger os acionistas da inflação tornou-se uma estratégia agressiva de acumulação, fazendo da MSTR um proxy de bitcoin cotado em bolsa — com um efeito de alavancagem inerente à estrutura da empresa.
Os investidores que compram MSTR procuram precisamente essa exposição amplificada aos movimentos do BTC, o que explica a sensibilidade do título às decisões de gestão do tesouro. A venda parcial de BTC, ainda que mínima à escala da carteira, foi suficiente para alimentar dúvidas sobre a coerência da tese de investimento. Phong Le tenta restabelecer a confiança ao reafirmar que a Strategy não prevê novas alienações num contexto de mercado em alta.
A verdadeira questão permanece em aberto: até onde pode a Strategy absorver prejuízos contabilísticos mantendo a confiança dos mercados? A resposta dependerá tanto da trajetória do bitcoin como da capacidade da direção em gerir a sua comunicação financeira com a mesma precisão que as suas operações de capital.
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