Jack Mallers (Strike): inflação, stress obrigacionista e por que o Bitcoin supera o ouro
Jack Mallers (Strike) alerta: com a dívida dos EUA acima de 120% do PIB, o Bitcoin é a cobertura macroeconómica mais racional. Saiba porquê.
Jack Mallers (Strike) alerta: com a dívida dos EUA acima de 120% do PIB, o Bitcoin é a cobertura macroeconómica mais racional. Saiba porquê.
A dívida americana ultrapassa 120% do PIB e, para Jack Mallers, CEO da Strike, o debate entre subida ou descida das taxas da Fed não passa de uma distração. Ambos os caminhos conduzem ao mesmo destino: a inflação.
Numa entrevista à Bitcoin Magazine, Mallers traça um paralelo revelador com o Japão — e a sua mensagem para os investidores é inequívoca: o Bitcoin não é uma opção entre muitas, é o posicionamento mais racional num sistema monetário sob pressão.
Eis por que a sua análise merece atenção redobrada, muito além dos círculos bitcoiners.
Jack Mallers parte de um diagnóstico macroeconómico difícil de contestar: com uma dívida pública americana acima de 120% do PIB, a margem de manobra da Reserva Federal é praticamente nula. Subir as taxas agrava o custo do serviço da dívida e fragiliza os mercados obrigacionistas. Baixá-las relança a criação monetária e alimenta a inflação. Ambos os cenários corroem o poder de compra real.
Para ilustrar esta armadilha, Mallers convida os investidores a estudar o caso japonês. O Banco do Japão teve de recorrer ao controlo da curva de rendimentos (YCC) — uma intervenção direta para limitar os rendimentos obrigacionistas — a fim de evitar o colapso do mercado das JGB (Japanese Government Bonds). O resultado: o iene perdeu uma parte significativa do seu valor face aos ativos reais, e o banco central tornou-se o comprador de último recurso da sua própria dívida soberana.
Mallers considera que os Estados Unidos seguem a mesma trajetória. Não daqui a dez anos, mas num horizonte bem mais próximo. O planeamento central das taxas, outrora reservado a economias consideradas «menos ortodoxas», torna-se uma necessidade estrutural para as grandes potências endividadas. É neste contexto que o seu posicionamento no Bitcoin adquire todo o sentido.

Mallers posiciona o Bitcoin como o ativo mais sensível à expansão da liquidez fiat. A sua tese: quando os bancos centrais injetam liquidez para manter as taxas baixas e sustentar os mercados obrigacionistas, os ativos de oferta fixa — e o Bitcoin em primeiro lugar — captam mecanicamente esse valor. O ouro desempenha este papel há séculos, mas o Bitcoin, com a sua liquidez 24 horas por dia, a sua portabilidade e a sua oferta limitada a 21 milhões de unidades, oferece uma reatividade que o ouro não consegue igualar.
Esta comparação BTC vs ouro não é nova, mas Mallers ancora-a numa realidade operacional: a Strike está a construir aquilo a que chama um «full Bitcoin financial stack», uma pilha financeira completa assente no Bitcoin. A empresa alargou recentemente a sua atividade ao Bitcoin-backed lending — empréstimos garantidos por BTC — permitindo aos detentores aceder a liquidez sem vender os seus ativos. É mais um bloco na construção de uma finança paralela, nativa do Bitcoin, que não necessita da autorização do sistema bancário tradicional.
Para os investidores mais familiarizados com o ecossistema cripto, a mensagem de Mallers vai muito além de uma simples tese altista sobre o BTC. Trata-se de uma leitura estrutural do risco soberano: num mundo em que os Estados monetizam a sua dívida, deter um ativo cuja oferta é algoritmicamente fixada deixou de ser uma aposta especulativa — é uma cobertura macroeconómica racional.
Analista de criptomoedas com mais de 7 anos de experiência em trading e uma sólida trajetória nas indústrias de iGaming e criptomoedas, cubro a atualidade do mercado cripto com uma abordagem rigorosa e acessível. Apaixonado por blockchain desde 2019, já publiquei mais de 1.200 artigos e guias sobre criptomoedas, DeFi e blockchain, reconhecidos pela sua fiabilidade e clareza.
Especializado em trading on-chain e na análise de movimentos de baleias, decifro os fluxos da blockchain para antecipar tendências de mercado antes que se tornem evidentes.
Um dos meus artigos foi citado por Éric Larchevêque, cofundador da Ledger, o que demonstra a qualidade e credibilidade das minhas análises.
O meu objetivo mantém-se inalterado: tornar o universo cripto acessível e compreensível para todos, desde iniciantes até investidores experientes.
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